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05/07/2019 - Amigos e familiares relembram Donaldo Cerci da Cunha

Em 4 de junho de 2018, a Medicina paulista e nacional perdia Donaldo Cerci da Cunha, vítima de um acidente vascular cerebral. E para prestar uma mais que justa homenagem ao 1º vice-presidente da Associação Paulista de Medicina, os amigos da diretoria se reuniram na Regional de Marília no dia 28 de junho para inaugurar a nova fachada da entidade, que passou a estampar o nome “Casa do Médico Prof. Dr. Donaldo Cerci da Cunha”.

Liderança na região de Marília, Donaldo atuou como membro do Comitê de Ginecologia e Obstetrícia da APM a partir de 1980, foi presidente da Regional de Marília e diretor da 11ª Distrital (1995-1999), integrou o Conselho Fiscal (1999-2002) e presidiu a Assembleia de Delegados (1999-2005) da APM Estadual, além de ter atuado como vice-presidente desde 2005.

O presidente da APM Estadual, José Luiz Gomes do Amaral, aproveitou a cerimônia para falar do amigo: “Sabe quando encontramos alguém com tal estatura e valor que, diretamente, nos sentimos atraídos por ele? Porque, quando avaliamos alguém com tal dimensão humana, entendemos que estar próximo dele é crescer também. Ou seja, em busca de nos tornarmos maiores, seguimos a imagem dos grandes. Para sermos maiores, aproximamo-nos dos bons. Para abreviar a distância que infelizmente nos separa hoje do Donaldo, o que podemos fazer é cultivar sua memória, nosso propósito aqui hoje. Uma pessoa que tanto amou esta casa e que se confunde com ela”.

Eleuses Vieira de Paiva, ex-presidente da APM, conta que conheceu Donaldo em 1995, por intermédio do então presidente da Regional de Lins, Ronaldo Perches Queiroz. “Não me recordo de ninguém nestes 24 anos que tenha vivido mais a Associação Paulista de Medicina do que o Donaldo. Ele era o nosso ponto de equilíbrio. Quando a gente se distanciava um pouco, recebia um telefonema dele. E o que mais me marcou durante este tempo de convivência com ele não foi apenas seu conhecimento médico, mas a sua figura humana”, rememorou.

Paiva também ressaltou a ética, a moralidade e a honestidade sempre presentes no homenageado. “Ele tinha adoração pela família. Tive a oportunidade de trabalhar com uma de suas filhas, a médica Mariana. Donaldo tinha muito amor por ela, e às vezes deslocava-se até Campinas escondido só para vê-la. A outra filha, Carolina, também era o xodó dele. E a esposa Cleide foi sua grande companheira, a grande paixão que o movia”, concluiu.

Amigos e familiares
Sobre a trajetória do pai, a filha Carolina resume: “Saiu do distrito de uma cidadezinha pequena do interior de São Paulo para tentar a vida na cidade grande de Curitiba para trabalhar e ajudar financeiramente os pais. Lutou muito, muito. Realizou seu primeiro sonho, que foi o ingresso na faculdade. A partir daí, muitas pessoas passaram por sua vida, e quantas tiveram a sorte de ter um pouquinho de contato com o grande homem, médico e amigo. Foi de filho a pai, de aluno a mestre, de grande médico a membro de importantes entidades. Formou família, seu maior sonho realizado. Perdeu as contas de quantas vidas já salvou, deu esperança, carinho e amor nos momentos em que as pessoas mais precisavam”.

Um de seus grandes amigos era Ivan de Melo Araújo, diretor Cultural da APM, que relembra a pessoa ímpar, absolutamente incomum e indispensável às vidas de quem conviveu com ele. “A amizade que tive com ele desarma todos os vínculos superficiais, reafirmando os laços verdadeiros de afeto. Foi através de pessoas como o Donaldo que aprendi a conhecer a mim mesmo, seja nos momentos de alegria, vivendo num coração grande, pela convivência, seja nos momentos difíceis, tangido pelo sopro de vida. Estou certo de que todos aqui estão compartilhando as mesmas sensações verdadeiras, constituindo uma família em que impera o amor. Assim foi conviver com esse amigo e assim o será.”

Seu auge de cumplicidade e atenção com os amigos e familiares se confundia, reforçou Araújo, com o comprometimento extremo à docência, à Medicina, à Defesa Profissional, ao amor inflexível pela Faculdade de Medicina de Marília e pela APM. “Sua trajetória iluminada, sua inteligência permeada de total disponibilidade, afeto, sua aparente sisudez e obstinação contrastada com seu enorme coração de manteiga. Um estoque inefável de amizade, de constante fidelidade e de confiança em vidas”, resumiu.

Zilda Maria Costa Ribeiro, diretora da 11ª Distrital da APM, complementa: “Somos todos lembrados pelo legado profissional que o professor Donaldo nos deixou. Ele exerceu com maestria a Medicina e a docência. Trouxe para a luz do mundo pessoas e médicos, sempre exercendo a sua atividade com dignidade, ética, sabedoria e muita competência”.

Ela ainda reforçou a importância que Donaldo dava ao associativismo para o fortalecimento da classe médica em decisões de poder. “Por tudo isso e muito mais, poderia ficar aqui indefinidamente enumerando e elencando todos os seus feitos. Somos agradecidos e felizes por termos tido a chance de compartilhar sua presença, junto com seus familiares que ele tanto amava”, acrescentou.

Akira Ishida, 2º vice-presidente da APM, reiterou as homenagens. “É com muita honra e satisfação, e não com tristeza, que participamos desta homenagem ao nosso querido amigo Donaldo. Nunca vi tantas flores como no velório dele, que é uma forma simbólica de demonstrar o quanto era paizão. Ele deve estar em algum lugar, sem dúvida nenhuma, recebendo esse tributo aqui hoje.”

“A história do Donaldo se confunde muito com a da própria APM, portanto esta é uma pequena condecoração perto da grande figura que ele foi para a Medicina. Todos que adentrarem esta casa agora entenderão a importância que ele teve para todos nós”, elucidou o presidente da APM Marília, José Raphael M. Campos Montoro, sobre a solenidade, que marcou o fim das reformas na Regional, iniciadas em 2016.

O chefe de gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Marília, Sandro Espadoto, também compareceu ao evento, que teve ainda a apresentação um vídeo resumindo a trajetória de vida do médico e o descerramento da nova placa da Regional.

Biografia
Donaldo Cerci da Cunha nasceu em 12 de outubro de 1941, em São Luís do Guaricanga (SP), distrito do município de Presidente Alves, filho dos lavradores Antônio e Leonor, que resolveram se mudar para Marília, centro maior, pensando na educação das crianças. Começou a trabalhar em oficina eletrotécnica e posto de combustível aos 16 anos, atividades que conciliava com os estudos à noite. Decidido a prestar vestibular para Medicina, foi preparar-se em Curitiba, aonde chegou a ser vendedor de confecções.

Em 1968, graduou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e durante sua vida universitária foi diretor social do Diretório Acadêmico Nilo Cairo (1965-1966). Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também concluiu doutorado na instituição em 1973. Em 2005, especializou-se em Gestão Estratégica de Hospitais pela Fundação Getúlio Vargas – Rio de Janeiro (FGV/RJ).

Na Faculdade de Medicina de Marília (Famema), atuou como professor e chefe da Disciplina de Ginecologia e Obstetrícia desde 1971, além de ter sido diretor clínico do Hospital das Clínicas local (1982-1983), membro do Conselho de Curadores (1995-1996), diretor técnico do HC II (2004 -2008) e vice-diretor da Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília desde 2012. Entre outros locais, trabalhou no Hospital Marília, na Associação Feminina de Marília – Maternidade Gota de Leite e na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Marília.

Fotos: Marcio Felicio

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