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03/01/2020 - APM repudia venda de vagas em curso de Medicina em Fernandópolis

Conforme noticiado pelo jornal O Estado de São Paulo, em 2 de janeiro, a ex-diretora da Universidade Brasil, de Fernandópolis (SP), Juliana da Costa e Silva, disse à Polícia Federal (PF) que alunos pagavam até R$ 80 mil por uma vaga no curso de Medicina. Se a vaga fosse por meio do Financiamento Estudantil (Fies), o valor chegava a R$ 100 mil - revelou em delação na Operação Vagatomia.

A ação investiga um esquema de fraudes na concessão do Fies, em bolsas do ProUni, nos cursos de complementação do Revalida e na venda de vagas e transferências de alunos do exterior ofertado pela Universidade Brasil. A instituição está na mira da PF desde setembro último, com fraudes que podem ter atingido R$ 500 milhões. As fraudes foram denunciadas ao Ministério Público Federal por alunos que ingressaram de forma regular na instituição.

Segundo a delação de Juliana, que era responsável pelo projeto pedagógico dos cursos de Saúde, os funcionários captavam estudantes para realizar, sobretudo, transferências para semestres mais avançados. Ela fazia parte da equipe de professores que cuidava da análise curricular para determinar em qual semestre o estudante ingressaria. O grupo também captava alunos para outros cursos da Saúde para transferi-los posteriormente para Medicina.

Os criminosos também inseriam informações, dados e documentos falsos no sistema de Financiamento Estudantil. Juliana apontou que nenhum pedido foi negado. Segundo explicou, isso era possível pois uma das pessoas do grupo tinha a senha de acesso ao sistema e dava aval para os contratos.

Nem mesmo o histórico dos alunos que se transferiam era seguro. A ex-funcionária da Universidade Brasil contou à Polícia Federal que ouviu relatos de alunos provenientes de outros países que pagavam propinas para receber documentação falsa quanto às aulas cursadas. Como explicou, é possível comprar, por valores que vão de R$ 10 mil a R$ 20 mil, um semestre em países como Bolívia e Paraguai.

A Associação Paulista de Medicina repudia quaisquer formas de fraudes e de flexibilização no ensino médico, que causam danos ao atendimento da população brasileira. Além de ser contra a proliferação de escolas médicas no País, a APM propõe a existência de um exame obrigatório a todos os formandos das faculdades brasileiras de Medicina, condicionando a obtenção do registro profissional à aprovação nestes exames.

No caso dos formados no exterior, brasileiros ou estrangeiros, a Associação entende que é primordial que todos passem por um processo bem estruturado de revalidação de diplomas no Brasil. E em mais de uma ocasião, já denunciou em seus meios de comunicação os “balcões de negócios” criados em torno das faculdades de Medicina nas fronteiras e das transferências de alunos dessas escolas como forma de burlar a revalidação.

Com informações de O Estado de S. Paulo

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