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22/05/2020 - COVID-19: Diretor Científico da APM fala sobre evidências científicas em evento on-line

Na tarde da última terça-feira (19), o diretor Científico da Associação Paulista de Medicina, Álvaro Nagib Atallah, participou de uma sessão on-line na XII Semana Jurídica do curso de Direito do IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília). O evento abordou o tema “Ética, direito e evidências científicas: os desafios e os conflitos do Estado em tempos de pandemia”.

Falando sobre “Direito à Saúde Baseada em Evidências”, Atallah definiu a Ciência como um recurso fundamental para lidar com situações como a pandemia do novo coronavírus que o mundo vem enfrentando. De acordo com o especialista, é através de eficiência e eficácia no relacionamento com os pacientes que questões pertinentes sobre a Medicina vão surgir.

“A Saúde Baseada em Evidências é a Saúde baseada em provas, ou seja, o elo entre a melhor ciência e a melhor prática clínica disponíveis. Por exemplo, nos Estados Unidos se gasta muito dinheiro por ano em Saúde e o sistema é defasado, enquanto aqui no Brasil esse gasto não é tão alto e o nosso sistema de saúde, mesmo diante das dificuldades, funciona”, explica.

No entanto, para o médico, apesar de não existir grande progresso sem uma Ciência de qualidade por trás, o interesse político e econômico em volta da área atrapalha quem está atuando na linha de frente do tratamento e diariamente procura uma solução efetiva para combater a doença.

Atallah define que a única maneira de saber se um tratamento para a pandemia é eficiente será atuando de diferentes formas, com diversos grupos de pessoas. “É preciso analisar como cada um reage, ver quais estão trazendo mais benefícios e mais malefícios, para assim avançar nas pesquisas por uma intervenção médica e científica efetiva para todos”.

Para identificar um vírus de alta transmissão, como o que causa a Covid-19, há uma séries de estudos existentes que analisam as diferentes mutações e de que forma a doença se manifesta no organismo de cada um – visto que há pacientes assintomáticos que podem estar infectando outros indivíduos sem ter conhecimento.

“Esses estudos comparativos são essenciais, porque um ensaio clínico é muito caro, então a melhor coisa a se fazer é somar os estudos existentes e ver qual é o mais eficaz. Por isso, é fundamental que os testes funcionem e que se tenha dinheiro para comprá-los e aplicar em um grande nível da população”, define.

Ao final da apresentação, o Diretor Científico concluiu que evidências de eficácia se caracterizam por comparar diferentes tratamentos; efetividade é a análise para ver se o que está sendo estudado funciona na prática; eficiência é saber se o tratamento será barato e poderá salvar outras pessoas; e segurança é oferecer recursos de Saúde adequados e de qualidade para a população.

A sessão contou também com outros palestrantes, que discutiram questões pertinentes ao tema. Foram eles: Luiza Neto, professora associada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, em Portugal, e membro da Comissão de Ética do Departamento de Ciências Sociais e de Saúde da FMUP; Hélcio de Abreu Dallari Júnior, professor de Teoria da Constituição Federal da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie; e Leonardo Weber, assessor-chefe da Procuradoria Geral da República e professor do Centro Universitário IESB. O debate foi mediado por Douglas Marin, professor do programa de Mestrado em Direitos Sociais e Processos Reivindicatórios do IESB.