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28/03/2019 - Diferença entre gêneros na Saúde é tema de aula para acadêmicos de Medicina

Na última quarta-feira, 27 de março, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) ofereceu aos estudantes de Medicina uma aula sobre doenças que se apresentam de forma diferente em mulheres e homens. A iniciativa surgiu por ação da Associação Brasileira de Mulheres Médicas (ABMM), que solicitou o espaço para tratar do tema e doou à instituição de ensino o livro “Principles of Gender-Specific Medicine”.

Marilene Rezende Melo, vice-presidente da ABMM, iniciou a aula agradecendo a oportunidade de estar com jovens do 5º ano. “Vocês estão salvando vidas e a diferença de gêneros os ajuda nesse sentido. Agradeço muito a acolhida da Santa Casa, que será a primeira faculdade no Brasil a implantar o que determina a Lei Estadual 17.767/18: incluir no estudo da disciplina de Clínica Médica um capítulo sobre as principais doenças que se apresentam de forma diferente em mulheres e homens”, afirmou.

Ela foi recebida pelo diretor da faculdade, Paulo Carrara de Castro, e pelo professor adjunto Milton Luiz Gorzoni. “Fico muito satisfeito e honrado em ter a ABMM aqui. O conhecimento que será compartilhado se encaixa muito bem na política da faculdade, de ter um campo aberto para pesquisas e para pensamentos diferentes. Essa iniciativa é absolutamente pertinente”, declarou Carrara.

Marilene também agradeceu o apoio concedido pela Associação Paulista de Medicina (APM). “Quando procurei o ex-presidente da APM, Florisval Meinão, ele nos apoiou no projeto de distribuição de encartes com informações sobre este assunto para a população, entendendo ser um projeto de saúde pública. Também o atual presidente, José Luiz Gomes do Amaral, nos deu total apoio”, completou.

Manifestações distintas
Na sequência da aula, outras especialistas da Associação Brasileira de Mulheres Médicas abordaram algumas das principais doenças que se manifestam de maneira distinta em homens e mulheres. A presidente da entidade, Fátima Regina Abreu Alves, tratou das distinções no sono para homens e mulheres, tão afetadas pelo ciclo menstrual, pela gravidez e pela menopausa, por exemplo.

Elizabeth Regina Giunco Alexandre, diretora científica da ABMM – São Paulo, relembrou um pouco a trajetória dos estudos neste campo: “Até muito recentemente, quando se falava em diferença de gênero, sempre se relacionava aos órgãos reprodutivos e sexuais. Mais recentemente, a Medicina descobriu que também em outros sistemas há diferenças entre os homens e as mulheres, com a Cardiologia tendo papel protagonista nessa caminhada nos anos 1990”.

A especialista também fez uma importante distinção entre os termos “sexo”, “gênero”, “sexo genotípico” e “sexo fenotípico”. Conforme explicou, este estudo está mais avançado em outros lugares, como o Canadá. “É importante entender essas diferenças. Temos que refletir que é impossível separar um organismo de suas experiências”, argumentou.

Por fim, Eliza Maria do Céu Batista Moreira Garcez, secretária geral da ABMM, abordou o tema sob o aspecto da Pediatria, passando alguns conceitos básicos sobre as diferenças de infecções urinárias e do início da puberdade entre meninos e meninas, por exemplo.

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Fotos: Marina Bustos

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