Assine aqui para receber
nosso Informe institucional

Notícias

ÚLTIMAS

06/12/2018 - Diretor da APM debate Telemedicina em Fórum da Folha de S. Paulo

 

O diretor de Tecnologia da Informação da Associação Paulista de Medicina, Antônio Carlos Endrigo, participou das discussões do 2º Fórum Saúde Suplementar organizado pela Folha de S. Paulo nesta quarta-feira, 5 de dezembro. O evento discutiu propostas para reduzir custos e desperdícios no setor, que tem visto os gastos médico-hospitalares subirem cada vez mais.

O diretor da APM participou da primeira mesa do dia, logo após breve apresentação de Mauro Paulino, diretor do Instituto Datafolha. O painel, nomeado “Tecnologia e comunicação a serviço do atendimento médico”, também recebeu Ana Estela Haddad, professora da Universidade de São Paulo e diretora da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), e Juliana Abrusio, professora da Universidade Mackenzie e especialista em Direito digital.

 

Endrigo começou sua explanação buscando definir alguns conceitos. “Há muitas formas de definir Telemedicina, mas basicamente é possível dizer que seja o uso de serviços de telecomunicações na Saúde. E a área tem diferentes abordagens e aspectos, como o técnico-médico ou o jurídico, por exemplo. Estamos sempre colocando o termo ‘tele’ na frente das práticas médicas, mas lembremos que a teleconsulta não é permitida no Brasil. O que se faz muito é a teleconsultoria, em que em uma ponta há o médico e na outra um médico e o paciente. Isso já vem ajudando muito no âmbito dos especialistas. Por outro lado, o telediagnóstico é amplamente difundido.”

Para o diretor da Associação, há muito o que evoluir no setor. Ele entende que um dos problemas maiores da Saúde brasileira é o acesso aos serviços. Levando isso em consideração, junto do fato de que a maioria das doenças – cerca de 90% – são de baixa complexidade, há um enorme potencial para a Telemedicina crescer e contribuir para resolver a questão. “Por isso, vejo que faz falta uma resolução do Conselho Federal de Medicina que possa ajudar nesse sentido, que contenha regras claras para médicos e pacientes, efetivando as teleconsulta.”

Juliana Abrusio fez uma apresentação em que explicou o que são os dados pessoais sensíveis, que podem causar alguma espécie de discriminação social, e explicou que as informações de saúde dos cidadãos estão entre eles. Além disso, debateu o estabelecimento da Lei Geral de Proteção de Dados, que tramitou por quase oito anos e entra em vigor em 2020, e debateu aspectos éticos, de segurança e jurídicos do compartilhamento de dados de saúde.

Já Ana Estela Haddad mostrou um pouco dos benefícios e impactos que a implementação da Telemedicina e da Telessaúde pode trazer: “Entre eles estão a redução de custos e a democratização do acesso, com especialistas podendo dar opiniões muito facilmente, rompendo a questão do espaço-tempo. Mas ao mesmo tempo que melhora esse aproveitamento, precisamos entender que as vantagens são potenciais, não automáticas. Os avanços dependerão de questões diversas, como o contexto de onde será feito o atendimento, do processo organizacional e da gestão, entre outras”.

 

Tecnologia a favor da Saúde

Aprofundando a questão das teleconsultas, Endrigo disse ser favorável à prática, reforçando a necessidade de uma regulação clara e objetiva. “Claro que a teleconsulta limita o nível de diagnóstico que pode ser feito e o paciente tem de ter consciência disso. Qualquer procedimento médico carrega riscos e é de bom tom o médico sempre explicar. Uma teleconsulta não será diferente. Talvez exija mais atenção ou treinamentos específicos, mas creio que resolveria um dos nossos grandes problemas que é o acesso”, reforçou.

O diretor da APM, tratando do avanço dos prontuários eletrônicos, também contou aos presentes a experiência da Associação com o projeto Idoso Bem Cuidado. Trata-se de um programa que nasceu em 2016, como uma plataforma tecnológica de suporte e auxílio à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em modelo similar ao do sistema de saúde inglês, conhecido como NHS. A ideia era que todos os cidadãos tivessem acesso a prontuário eletrônico único, concedendo acesso aos profissionais de Saúde se assim desejassem.

O projeto mudou de direção quando o presidente Michel Temer decretou a obrigatoriedade de todos os prestadores de serviços de Saúde – nas esferas públicas, suplementar e privada – entregarem um Conjunto Mínimo de Dados (CMD) ao Ministério da Saúde. Com o ambiente do Idoso Bem Cuidado pronto, a APM e parceiros passaram a trabalhar na ampliação do escopo de atenção, a fim de atender à normativa, e o programa segue em desenvolvimento.

Ao longo do dia, o evento teve mais três mesas, debatendo os seguintes temas: “Propostas para reduzir custos e desperdício na saúde suplementar”; “O valor da saúde: a coparticipação e o ressarcimento de planos ao Sistema Único de Saúde”; e “A ascensão das clínicas populares”.

Galeria de Imagem