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APM NA IMPRENSA

23/08/2017 - Estudo de médicos contesta limite aceitável de poluição em São Paulo

Só oito estados têm sistemas de monitoramento da qualidade do ar.

Índices estão muito além do nível estabelecido pela OMS.

 

Um estudo conduzido por médicos, em São Paulo, levantou dúvidas sobre a validade dos limites oficiais aceitáveis de poluição.

O trabalho do Instituto Saúde e Sustentabilidade é uma releitura, sob a visão da saúde de um relatório da Cetesb, a Companhia Ambiental Paulista. Ele reconhece que o estado tem a melhor rede de monitoramento ambiental de poluição do ar da América Latina. Mas aponta que as concentrações de poluentes consideradas seguras pela Cetesb causam danos à saúde da população.

Só oito estados brasileiros têm sistemas de monitoramento da qualidade do ar e, mesmo esses, estão longe de limitar a poluição aos níveis estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. São Paulo e Espírito Santo se adiantaram, há quatro anos, e baixaram os limites em relação aos adotados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.

No caso do poluente mais nocivo, o material particulado, suspenso no ar, a redução foi de 150 para 120 microgramas por metro cúbico. No padrão da OMS, o limite seguro é de 50 microgramas.

“A mudança que veio de 150 do material particulado nacional para 120, basicamente não mudou em nada todas as medidas ficam dentro de um padrão normal”, afirma Evangelina Vormitagg, professora da Faculdade de Medicina da USP.

A Cetesb informa que pretende chegar ao padrão da OMS, mas em quatro fases. A primeira, já implantada. Ainda não há data certa para a implantação da próxima.

“O que é factível tecnicamente, porque de nada adiantaria eu apresentar uma meta final. Meta da OMS em um estado onde falta muito para atingir”, diz Carlos Roberto dos Santos, presidente da Cetesb.

A queima de combustíveis a base de petróleo pelos veículos é uma das principais fontes do tal material particulado que a gente respira. O controle das emissões anda a passos lentos. Em São Paulo, uma tentativa para adiar ainda mais uma solução para o problema no caso dos transportes públicos gera protestos.

Estátuas com máscaras antipoluição, uma ação de ambientalistas, contra um projeto na Câmara Municipal que ampliaria o prazo para substituição do diesel nos ônibus, até 2037. O prazo anterior vence no ano que vem.

“A gente tem uma pesquisa elaborada pelo Greenpeace que ele mostra que seria tecnicamente e economicamente viável num prazo de quatro a cinco anos fazer a renovação total da frota, isso não oneraria nem os cofres públicos, nem as empresas”, diz o sociólogo Américo Sampaio, da Rede Nova, São Paulo.

O autor do projeto, e presidente da Câmara, diz que foi mal interpretado, mas acabou alterando a data para 2027 e diz que o assunto ainda vai ser discutindo.

“Eu quero que os ambientalistas veem e comparem, e digam o que está errado, e apontem onde que está errado. O que não pode é sair criticando e não contribuir”, diz o vereador Milton Leite, presidente da Câmara Municipal-SP.

O Ministério do Meio Ambiente declarou que criou um grupo de trabalho para atualizar os padrões brasileiros de qualidade do ar.

Confira o vídeo completo da materia.