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26/03/2020 - Isolamento e quarentenas: como países estão lidando ao redor do mundo

Isolamento vertical ou horizontal? Todos em casa ou apenas grupos de risco? Em meio ao crescimento das infecções pelo novo coronavírus (Covid-19), essas são apenas duas das perguntas que o Brasil tenta responder nos últimos dias.

Enquanto o País não tem uma determinação de quarentena ou isolamento social definida, algumas localidades agem. Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, estão apenas com serviços essenciais em funcionamento.

Mas, e ao redor do mundo? Como os países estão lidando com a pandemia de Covid-19? A Organização Mundial de Saúde aponta que já são 196 países, áreas e territórios com contaminação – a maioria já com transmissão local do vírus.

Horizontal versus Vertical

Afinal, do que se trata cada uma dessas definições? O isolamento “horizontal” é quando grande parte da população é aconselhada, por médicos e autoridades locais, a ficar em casa para evitar aglomerações. A estratégia pretende reduzir a disseminação do vírus. Essa vem sendo a postura da maior parte dos países ao redor do mundo.

Já o médico David Katz, diretor do Centro de Pesquisa em Prevenção em Yale-Griffin (EUA), publicou em jornal detalhes da estratégia que nomina como confinamento “vertical”. Valendo-se de uma metáfora, ele entende que a ação é de ataque cirúrgico, com foco específico no ponto de maior perigo.

Ou seja, em vez de optar por um enfrentamento amplo e aberto (como em uma quarentena), seriam isolados apenas grupos de riscos conhecidos – como idosos e pessoas com doenças anteriores.

Ásia

A China, epicentro da disseminação do Covid-19, após grande crise vê a situação começar a mudar. Antes disso, porém, impôs duras restrições nos últimos meses. Ainda em 22 de janeiro, Wuhan foi colocada em quarentena. Poucos dias depois, quase 60 milhões de pessoas estavam isoladas, com a região de Hubei também fechada. No ponto alto da crise, estima-se que 780 milhões de chineses estiveram sob restrição.

Foram colocadas em prática diversas restrições de viagens, circulação de carros e meios de transportes, e houve ordem de fechamento temporário de fábricas e empresas. Apenas hospitais, mercados, farmácias e outros serviços vitais permaneceram abertos. Drones alertavam, nas ruas, a população sobre o risco de caminhar sem máscaras e sobre a importância de ficar em casa.

O número de infecções na China agora apresenta queda considerável – Wuhan, por exemplo, não tem uma infecção registrada há uma semana. Ainda assim, a região segue em isolamento até 8 de abril. O restante da província de Hubei já está com restrições menos severas.

A Coreia do Sul adotou bloqueio de algumas regiões e anunciou que pessoas suspeitas de terem contraído a doença estariam 30 dias em isolamento. As infrações são punidas com multas de até $ 2.500 (e um projeto já discute a possibilidade de prisão).

O grande mérito do país no controle da disseminação, no entanto, é a ampla quantidade de testes realizados, permitindo o isolamento dos infectados e suspeitos com mais eficácia. Há pontos de teste gratuitos e públicos na Coreia do Sul e estima-se que mais de 300 mil cidadãos já participaram. No total, a média de mais de 5 testes por cada mil habitantes dos sul-coreanos é a maior do mundo.

O Irã, com quase 30 mil infectados e vendo os números dispararem, iniciou neste dia 26 de março medidas de isolamento. É recomendado que as pessoas permaneçam em casa e deixar as cidades e outras viagens estão proibidas. A Tailândia, nesta semana, foi outro país que anunciou que somente mercados, restaurantes e farmácias poderão funcionar.

Europa

Com grande circulação de pessoas, a Europa tem sido o local mais afetado pelo coronavírus após a diminuição dos casos na China. A Itália já viu mais de 7 mil cidadãos morrerem e o seu sistema de saúde colapsar. Com o primeiro caso em 31 de janeiro, o país só entrou em isolamento horizontal em 9 de março.

O isolamento é obrigatório e há restrição de viagens. Além disso, estão proibidos eventos, as fronteiras estão fechadas, bem como as escolas e os bares e restaurantes. O país também decretou estado de emergência.

Espanha e França estão na mesma situação – mais de 4 mil espanhóis e mil franceses faleceram em decorrência do Covid-19. Na Espanha, as medidas de isolamento horizontal foram anunciadas em 13 de março, enquanto na França, no dia 16 do mesmo mês.

O Reino Unido flertou com o isolamento vertical, mas após contabilizar mais de 400 mortos e ver os casos crescendo, o governo instituiu quarentena obrigatória a partir do último 23 de março. As pessoas só podem sair de casa para fazer compras básicas e irem trabalhar em casos absolutamente necessários.

Estados Unidos

Ao menos 13 estados instauraram medidas de distanciamento social. Em Nova York, epicentro da pandemia no país, a quarentena e o distanciamento social, empreendidos no dia 20 de março, estão diminuindo a taxa de contágio pelo coronavírus.

As projeções de pacientes hospitalizados pelos vírus estão aumentando em ritmo mais lento do que o previsto, devido às rigorosas medidas adotadas no estado, que fechou escolas e empresas não essenciais e proibiu reuniões entre pessoas.

Os 40 milhões de habitantes da Califórnia, onde há também um número grande de infecções, têm ordens de ficarem em casa. O estado declarou quarentena no dia 19, permitindo que os cidadãos deixem suas casas apenas para ir ao supermercado, farmácia e hospitais, além de se exercitar e passear com cachorros.

Exceções

O México é um dos países que operavam em normalidade até pouco tempo. Apenas em 25 de março anunciou a suspensão de todas as suas atividades não essenciais. Nos últimos dias, o presidente Andrés Manuel López Obrador esteve em contato com a população e estimulou o contato entre eles. Já são seis os mexicanos mortos pela infecção de coronavírus, que afetou cerca de 500 pessoas até agora por lá.

A Austrália fechou seus locais de reuniões, entretenimento, esportes e oração no último dia 23 de março. Por outro lado, supermercados, creches e escolas seguem funcionando regularmente. O governo admite a possibilidade de mudar de orientação em caso de agravamento da crise. Sem turistas, os australianos têm utilizado a Ilha Rottnest como zona de quarentena para os infectados.

Os japoneses também mantiveram a rotina durante a pandemia, mesmo tendo mais de 40 mortos e de 1.300 casos. Ainda que as Olímpiadas de 2020 tenham sido adiadas e as escolas tenham sido fechadas, o Japão não adotou quarentenas. No último 22 de março, inclusive, milhares de pessoas estiveram nas ruas e parques para admirar as cerejeiras com flores. Especialistas temem que o vírus esteja se espalhando silenciosamente e que possa haver uma aceleração do número de doentes.