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25/03/2020 - Isolamentos horizontal e vertical

Todos em casa ou apenas os de maior risco? Ambas podem ser alternativas acertadas. Cada uma no seu tempo.

Hoje, há quem prefira a primeira alternativa (comungo com estes), outros a segunda. Houve até quem admitisse a proposta de isolamento algum, afastada face ao risco de grandes perdas. As perdas em questão seriam ponderadas na balança de nossos valores morais e esses dão destaque ao indivíduo, valorizam os idosos e os fragilizados.

Assim, deixar-nos levar inertes pela epidemia representaria desastre de grandes dimensões.

Decidiu-se mitigá-la: "achatar a curva". Sem perder de vista as consequências do isolamento horizontal (reclusão extrema e paralisação da Economia), priorizou-se evitar as mortes dos mais frágeis da sociedade.

Sim. Dar fôlego ao sistema de Saúde talvez poupe alguns deles. Amargaremos destarte profundos efeitos colaterais - uma grande recessão -, mas o faremos conscientemente.

Assim fazendo, o prejuízo será maior? É uma hipótese.

Na tomada de decisão, a hipótese distante perde do maior peso que tem o perigo real, próximo e iminente.

A decisão de isolamento horizontal preocupa, mas não pesará insuportável e indelével na consciência da sociedade. Pagar-se-á caro... Que assim seja.

Por outro lado, que atentos à progressão da doença, aproveitemos as oportunidades que surgirão (espero bem que nas próximas semanas) e façamos transição para o isolamento vertical, caso isso venha a ser exequível.

Essencial será, portanto, ter olhos abertos, mãos rápidas e firmes.

José Luiz Gomes do Amaral
Presidente da Associação Paulista de Medicina

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