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09/10/2019 - Outubro Rosa: tratamento personalizado é tema de campanha nacional

“Temos o objetivo de estimular o empoderamento dos pacientes, pautado na busca por um tratamento personalizado, na luta por respeito e na defesa de seus direitos.” É assim que a presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Maira Caleffi, define a campanha da instituição este ano.

Segundo a mastologista, ginecologista e obstetra, cada caso de câncer tem características oncogenéticas especiais. “Não estou falando apenas de casos de herança genética, mas de um tumor diferente do outro. E temos de preparar o paciente oncológico para usufruir dos benefícios de tantas leis e direitos adquiridos a partir do seu diagnóstico”, acrescenta.

Acolhimento com carinho e suporte psicológico, reforça a especialista, são outros pontos que devem ser levados em consideração durante o tratamento. Além disso, de acordo com ela, a Medicina personalizada caminha em sintonia com novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas a todo instante para promover diagnósticos e tratamentos cada vez mais precisos, confiáveis e eficazes.

“Os exames genéticos e moleculares são uma importante ferramenta para definir previamente a chance de desenvolver a doença e permitir a elaboração da melhor estratégia para seu enfrentamento. As mutações que cada câncer carrega, suas alterações genômicas, as características do tumor, bem como as respostas a terapias, são fatores que guiam para o melhor tratamento”, informa.

Se antes os tratamentos eram padronizados para todos os pacientes, hoje os específicos respondem a cada subgrupo da doença. “A terapia para uma paciente pode ser muito diferente do esquema montado para outra. Um pode iniciar o tratamento por uma cirurgia, enquanto outro inicia pela quimioterapia. Por isso, acredito que a Medicina personalizada é um caminho promissor”, defende.

Avanço da doença

Existem muitas opções de tratamentos disponíveis, principalmente quando o câncer está em fase inicial, mesmo no Sistema Único de Saúde. A questão dificulta quando a doença cresce e se multiplica. “Mesmo surgindo novas drogas a cada seis meses, pelo menos, com impactos de sobrevida comprovados em casos metastáticos, há um grande entrave burocrático para a incorporação no SUS, porque é lenta e difícil. E um paciente metastático tem custos muito mais elevados do que um em estágio inicial.”

Segundo o mais recente relatório do Tribunal de Contas da União, o paciente espera até 200 dias para a confirmação do seu diagnóstico de câncer no SUS. “Esse é um tempo de espera absurdo, que compromete as chances de sobrevida. Um câncer diagnosticado precocemente tem 95% de chances de cura. Precisamos fazer um reforço no sistema público, em atenção primária, para não haja perda de tempo - desde a suspeita na mamografia ou na apalpação, até chegar ao tratamento”, alerta Maira.

A testagem genética, que faz parte da Medicina personalizada, é uma luta antiga da Femama, com projetos de lei, inclusive, tramitando no Congresso Nacional. “Parece estar ainda um pouco longe do SUS, mas é necessário que abram os olhos para esse caminho promissor”, conclui.