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25/03/2020 - Posicionamento da APM sobre isolamento social tem grande repercussão na imprensa

Na manhã desta quarta-feira (25), o presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, foi entrevistado ao vivo pelas jornalistas Aline Midlej, Raquel Novaes e Julia Duailibi, do Jornal GloboNews - Edição 10 horas, sobre a manutenção do isolamento social como forma de tentar conter o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Amaral reforçou que agora não é o momento de flexibilizar o isolamento social no Brasil. “Existe uma falsa impressão de que nós estamos vivendo uma dicotomia, numa decisão de Sophia: ou ficamos todos em casa ou saímos todos à rua! Isso não é verdade, penso que as duas alternativas têm lugar: o isolamento horizontal - que estamos vivenciando - e o isolamento vertical - uma flexibilização desse isolamento -, mas há momento para uma delas e momento para outra; o que estamos vivendo hoje é o movimento de ficarmos todos em casa. É possível que, dependendo da evolução desta epidemia, possamos flexibilizar esse tipo de procedimento e manter em casa as pessoas com maior risco, como os idosos e os com a saúde fragilizada, mas isso o futuro vai nos dizer. Não estamos em momento nenhum para minimizar os problemas, temos que maximizar as soluções.”

Em discurso na noite anterior, o presidente da República Jair Bolsonaro tomou como exemplo o seu passado como atleta. Com esse histórico, segundo ele, “caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria se preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou um resfriado.

Esse ponto foi retomado durante a entrevista à GloboNews, e o presidente da APM comentou: “O risco é maior, claro, para as pessoas idosas e fragilizadas; isso não é o caso do nosso presidente da República, mas as pessoas que gozam de boa saúde não estão imunes a complicações e fatalidades; portanto, todos temos que nos precaver.”

Segundo os últimos números do Ministério da Saúde, de terça-feira (24), subiu para 46 o número de mortes e já existem, desde o início da pandemia, 2.201 confirmações de casos da nova doença no Brasil.

A medida de recomendação mundial de isolamento objetiva conter a curva crescente de infecção. Amaral elogiou as medidas técnicas adotadas pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que mantém um constante diálogo com autoridades e especialistas para definição de estratégias para o enfrentamento do Covid-19.

“O momento que estamos vivendo é de imensa tensão; não podemos perder de vista a gravidade desta epidemia; e temos que nos organizar e planejar a nossa vida de maneira alinhada, é muito complicado que cada um de nós tome uma atitude diferente. Tenho certeza de que o Ministério da Saúde vem se orientando muito bem [nesse sentido], com um olhar voltado para o que acontece no resto do mundo, de tal forma que podemos seguir as orientações do ministro Luiz Henrique Mandetta. Espero que a flexibilização eventual deste isolamento horizontal tenha hora sim, mas quando chegar a hora, vamos discuti-la. Não podemos perder também de vista o que se tentou fazer muito no discurso de ontem e se discute muito hoje, do impacto da recessão econômica sobre a Saúde. Isso vai acontecer e temos de estar preparados para isso, mas não podemos minimizar esse problema.”

Em outra pergunta ao presidente da APM, a jornalista Julia Duailibi contextualizou sobre o estado de transmissão comunitária – em que não é mais possível identificar a origem da contaminação de um determinado grupo social. O MS declarou esse estado de transmissibilidade em todo o País no dia 20 de março. Além disso, Julia falou da realidade socioeconômica de parte significativa das famílias brasileiras, que vivem juntas em casas pequenas. “Como separar os idosos do resto da família? E as crianças assintomáticas que podem passar eventual vírus para os idosos? Também essa mesma questão sobre as escolas, porque liberando-as, as crianças podem adquirir o vírus e voltar para casa colocando os pais e avós em risco”, questionou a repórter.

“Com certeza, o que estamos vivendo hoje - e muito provavelmente os dias que se sucederem a esse - não é de flexibilização do isolamento; é o momento de ficarmos todos em casa, as crianças, os idosos, os pais, as pessoas com saúde fragilizada. Certamente, se mudarmos essa posição, neste momento, haverá consequências muitíssimo graves e temos de evitar isso a todo custo”, concluiu Amaral.

 

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