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10/09/2019 - Setembro Amarelo: entenda a importância da campanha

Entre 50% e 60% das pessoas que tiraram a própria vida nunca se consultaram com um especialista de saúde mental. Depressão, transtorno bipolar e dependência química são alguns dos exemplos de doenças mentais que quando não tratadas podem levar ao suicídio. As informações são da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), responsável pela Campanha Setembro Amarelo no Brasil desde 2014, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

"Em 2019, trabalhamos com o conceito de que combater o estigma é salvar vidas. Tendo em vista a relação entre o óbito por suicídio e a presença de transtornos psiquiátricos, não podemos ignorar esta informação. O acompanhamento correto da doença mental de base é o primeiro passo para cessar a ideação e o comportamento suicida, que desaparece por completo após o tratamento adequado e multiprofissional", explica o coordenador nacional da Campanha Setembro Amarelo, Antônio Geraldo da Silva, que também é presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que aproximadamente 1 milhão de casos de óbitos por suicídio são registrados por ano em todo o mundo. A cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo. No que se refere às tentativas de suicídio, o número é ainda mais assustador: uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos.

No Brasil, os casos registrados chegam a 12 mil óbitos por ano. É sabido, no entanto, que esse número é bem maior devido à subnotificação, que ainda é uma realidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que a taxa de mortes por suicídio em 100 mil passou de 5,3 em 2011 para 5,7 em 2015. E houve um aumento de 10% em menos de uma década no percentual de jovens de 15 a 29 anos que se suicidam, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Quase 100% dos casos de óbito por suicídio estavam relacionados a transtornos mentais, em sua maioria não diagnosticados, tratados de forma inadequada ou não tratados de maneira alguma. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias.

De acordo com Silva, o suicídio é uma emergência médica e, por isso, precisa de intervenção especializada para que possa ser evitado: “O papel da sociedade na Campanha Setembro Amarelo é fundamental para que possamos chegar ao maior número de pessoas possível com ações efetivas de orientação sobre o risco, fatores de proteção e também na emergência do suicídio".

Sobre a campanha
Setembro foi escolhido o mês da campanha porque o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado desde 2003, pela OMS. A iniciativa visa promover eventos que abram espaço para debates e conscientização sobre o assunto.

Já sobre o amarelo, atribui-se a escolha da cor à história de Mike Emme, um garoto norte-americano que se suicidou em 1994, com apenas 17 anos. No dia do funeral do jovem, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles – feita por amigos - estava disponível para quem quisesse pegá-los.

Os cartões e fitas possuíam uma mensagem: Se você precisar, peça ajuda. Em pouco tempo, a ideia se espalhou pelos Estados Unidos e começaram a surgir mais cartões com pedidos de ajuda. Amarelo também era a cor do Mustang 1968 de Mike, conhecido por sua personalidade caridosa e por saber muito sobre mecânica, tendo restaurado e pintado o carro sozinho.

Associação Paulista de Medicina
Na sede da entidade, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, o amarelo também toma conta da iluminação da fachada durante todo o mês de setembro. Além disso, painéis com informações sobre o tema e a campanha estão localizados na entrada da APM, impactando um grande número de pessoas que circulam pelo prédio todos os dias. A identidade das mídias sociais da Associação Paulista de Medicina também foi modificada em alusão à Campanha Setembro Amarelo.

setembro amarelo

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